FFU amplia receitas, atrai novos players e muda dinâmica da venda dos direitos do Brasileirão

 
A comercialização dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro para o ciclo de 2025 a 2029 consolidou uma mudança importante no mercado de mídia esportiva do país. Liderada pelos clubes que integram a FFU (Futebol Forte União), a negociação resultou em contratos avaliados em aproximadamente R$ 8,5 bilhões, valor que representa crescimento de 110% em relação ao período anterior.

O resultado ganhou relevância porque foi alcançado em um cenário de forte ceticismo. Quando os clubes iniciaram a construção do modelo coletivo, parte do mercado entendia que a maior parte do potencial comercial do Brasileirão já havia sido absorvida pelos acordos firmados pela Libra. As projeções mais conservadoras apontavam que a então LFU teria dificuldade para atingir cifras próximas às obtidas pelo outro bloco.

Em entrevista, Gabriel Lima, administrador do Condomínio Forte União (CFU), destacou que a confiança dos clubes estava baseada na estrutura criada para conduzir o processo.

“Internamente sempre tivemos muita confiança no modelo que construímos: Processo competitivo transparente, divisão dos direitos com flexibilidade para atender a demanda dos grupos de mídia e estruturação profissional da venda dos direitos. Essa foi a base para vencer a desconfiança e entregar um resultado que foi histórico para os clubes da Série A”, disse.

O modelo adotado pela FFU partiu da negociação coletiva dos ativos de mídia. A estratégia ampliou o inventário disponível para comercialização e permitiu a criação de diferentes pacotes de conteúdo, atendendo perfis variados de empresas interessadas no produto.

“A mudança óbvia é a organização coletiva da venda dos direitos que permitiu uma ampliação do inventário a ser negociado. Além da oferta coletiva, optamos por trazer agências especializadas na venda dos direitos, com acompanhamento de perto dos clubes. Essa estruturação de um modelo de governança sólido com profissionalismo na gestão da venda deu origem às estratégias de comercialização fragmentadas e à flexibilidade de oferta para atender a diferentes demandas do mercado. Isso ampliou o interesse do mercado e gerou um ambiente competitivo saudável para toda a cadeia produtiva do futebol”, detalhou Gabriel.

A concorrência criada durante o processo permitiu que diferentes empresas passassem a integrar a distribuição do campeonato. Os pacotes ficaram divididos entre Globo, Record, Amazon, sportv, Premiere e plataformas digitais abertas, ampliando as opções de consumo para o público e criando novas fontes de receita para os clubes.

A LiveMode participou diretamente dessa construção. Escolhida pelos clubes como parceira comercial, a empresa atuou na modelagem dos pacotes e no relacionamento com o mercado.

“A LiveMode foi a agência escolhida de comum acordo pelos clubes e sócio estratégico para realizar a comercialização da série A. Eles tiveram um importante papel na modelagem comercial e no entendimento das transformações do mercado de mídia no Brasil. Aportaram muito conhecimento num mercado complexo de muitas peculiaridades e, na minha visão, foram fundamentais para o sucesso das vendas”, afirmou Gabriel.

À medida que o processo avançava, a quantidade de empresas interessadas em participar das negociações passou a indicar que o mercado estava disposto a disputar o produto de forma mais intensa do que em ciclos anteriores. O movimento reuniu grupos nacionais e internacionais de diferentes perfis, ampliando a concorrência pelos pacotes disponíveis e reforçando a percepção de que havia demanda reprimida pelo Campeonato Brasileiro quando apresentado dentro de uma estrutura comercial mais organizada.

“Quando começamos a perceber o volume de interesse de players nacionais e internacionais. Isso mostrou que o problema nunca foi falta de demanda pelo futebol brasileiro, mas sim a necessidade de construir um modelo comercial transparente, flexível e eficiente que desse oportunidade para todos”, afirmou Gabriel.

Os contratos firmados pela FFU alcançaram aproximadamente R$ 1,7 bilhão por temporada, número superior às previsões elaboradas durante as etapas iniciais da negociação. O modelo também recebeu reconhecimento de agentes do mercado, incluindo dirigentes ligados a clubes que integram outros blocos comerciais.

A entrada da Sports Media Entertainment (SME)

Outro ponto relevante foi a entrada da Sports Media Entertainment (SME) como parceira estratégica. O grupo investiu cerca de R$ 2,2 bilhões ao adquirir participações minoritárias nos direitos de arena dos clubes por 50 anos. A operação deu suporte financeiro à estrutura criada pela FFU e ajudou a acelerar o processo de profissionalização da organização.

Os reflexos também apareceram na distribuição das receitas. Dados divulgados pela entidade mostram que o total destinado aos clubes ultrapassou R$ 1,5 bilhão, com crescimento médio de 55% por equipe. A diferença entre o clube com maior receita e o de menor faturamento caiu para 1,97 vez. Em ciclos anteriores, essa distância superava seis vezes.

A estratégia comercial também impactou a oferta de conteúdo ao torcedor. Um dos objetivos da FFU era ampliar o número de partidas disponíveis sem custo adicional para o público.

“O torcedor precisava estar no centro da discussão. Conseguimos dobrar a quantidade de transmissões gratuitas exibidas ao vivo no ciclo de 2025 a 2029, passando de dois para quatro por rodada. Isso amplia o acesso, fortalece os clubes, os campeonatos e aumenta a relevância para patrocinadores e parceiros comerciais”, detalhou.

Hoje, 33 clubes das Séries A, B, C e D negociam seus direitos de transmissão dentro da estrutura da FFU. A centralização também chegou à Série B, onde os valores distribuídos passaram de R$ 9 milhões para R$ 15,5 milhões por equipe. A partir de 2027, a entidade prevê a integração das receitas entre as Séries A e B, com divisão de 85% para a elite e 15% para a segunda divisão.

Com os contratos já assinados e a estrutura comercial consolidada, a FFU encerrou o primeiro ciclo de negociações com números que reposicionaram o valor dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro e ampliaram a presença de diferentes plataformas na distribuição do principal produto do futebol nacional.

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