EUA endurecem regras para influenciadores durante a Copa do Mundo 2026

 
A realização da Copa do Mundo de 2026 tem colocado os Estados Unidos no centro das atenções não apenas pelo futebol. Nas últimas semanas, o país passou a ser alvo de críticas e questionamentos relacionados aos procedimentos migratórios adotados para visitantes do torneio. O capítulo mais recente dessa discussão envolve os influenciadores digitais.

Em comunicado conjunto, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e o Departamento de Segurança Interna (DHS) reforçaram que estrangeiros que viajem aos Estados Unidos para produzir conteúdo remunerado precisam portar o visto adequado para desempenhar essa atividade.

Segundo as autoridades, a criação de vídeos, publicações ou outros materiais digitais com objetivo de obtenção de receita é enquadrada como atividade profissional. Dessa forma, a utilização do visto de turista para esse tipo de atuação pode resultar em sanções migratórias.

O alerta tem impacto direto sobre milhares de criadores de conteúdo que tradicionalmente acompanham grandes eventos esportivos. A Copa do Mundo, em particular, costuma atrair influenciadores que produzem cobertura em plataformas como YouTube, Instagram, TikTok e outras redes sociais, muitas vezes vinculados a patrocinadores ou campanhas comerciais.

Pelas regras atuais, o visto de turismo permite viagens para lazer, férias, visitas familiares ou tratamentos médicos, mas não autoriza o exercício de atividades remuneradas em território norte-americano. Em casos de descumprimento, as autoridades podem cancelar o visto, impedir futuras entradas no país e até determinar a deportação do visitante.

Para profissionais que exercem atividades comerciais durante o evento, uma das alternativas previstas pela legislação é o visto O-1, destinado a pessoas com reconhecimento ou habilidades extraordinárias em áreas como esportes, artes, ciência ou negócios.

Além do endurecimento das regras, a fiscalização também deverá ser ampliada. De acordo com informações publicadas pelo jornal espanhol El País, agentes migratórios receberam orientações para aumentar a atenção sobre influenciadores e criadores de conteúdo que ingressem no país utilizando vistos incompatíveis com a atividade desenvolvida.

A estratégia inclui monitoramento de publicações feitas nas próprias redes sociais. Segundo fontes ouvidas pelo veículo, vídeos, transmissões e registros compartilhados pelos próprios criadores podem servir como elemento de verificação sobre a natureza da viagem.

O tema ganhou relevância após uma série de casos envolvendo personalidades digitais. Um dos episódios mais conhecidos foi o de Khaby Lame, influenciador senegalês-italiano que figura entre os maiores criadores de conteúdo do mundo. Em 2025, ele foi detido em Las Vegas após permanecer nos Estados Unidos além do período autorizado por seu visto.

Outro caso que recebeu ampla repercussão envolveu o venezuelano Leonel Moreno, conhecido nas redes sociais por conteúdos relacionados à imigração. Ele acabou deportado pelas autoridades norte-americanas após descumprir exigências vinculadas ao seu processo migratório.

As restrições direcionadas aos influenciadores se inserem em um contexto mais amplo de endurecimento dos controles de entrada relacionados à Copa do Mundo.

Desde o início da competição, diferentes delegações e profissionais ligados ao torneio relataram dificuldades em aeroportos e postos de imigração. O caso mais emblemático foi o do árbitro somali Omar Artan, deportado após problemas envolvendo sua entrada no país.

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