O São Paulo revisou o acordo de patrocínio com a Unimed após identificar a presença de uma empresa indicada como intermediária pelo departamento de marketing. Pelo desenho inicial do contrato, o clube desembolsaria R$ 4,5 milhões pela intermediação, valor parcelado em três anos, com pagamentos anuais de R$ 1,5 milhão.
A partir dessa avaliação, o documento foi ajustado para retirar a participação da terceira parte. A mudança ocorreu antes do avanço do processo interno, o que levou o Tricolor a reformular as condições previamente estabelecidas e readequar os termos do acordo comercial.
O vínculo entre o time paulista e a Unimed tem duração de três temporadas e prevê R$ 45 milhões no total, sendo R$ 15 milhões por ano para a exposição da marca na parte traseira do uniforme. A empresa apontada como intermediária é a corretora New Honest, ligada ao setor de seguros e situada no mesmo endereço do Morumbis.
A New Honest se apresenta como uma corretora com experiência acumulada no mercado de seguros, com foco em soluções voltadas ao esporte, especialmente planos de saúde para clubes e atletas. Atualmente, a empresa também atende o próprio São Paulo na gestão dos planos de saúde de jogadores e funcionários.
Em seus registros, consta ainda a atuação em intermediação e agenciamento de negócios em geral, exceto no setor imobiliário. Pela participação no acordo com a Unimed, a previsão era de recebimento de R$ 4,5 milhões ao longo de três anos, mas o clube passou a questionar essa estrutura nas semanas anteriores à análise do contrato pelos órgãos internos.
Diante desse cenário, o São Paulo concluiu que a corretora não possui histórico recorrente nesse tipo de operação e decidiu retirar a cláusula de intermediação do documento. Com isso, o acordo segue para avaliação do Conselho de Administração e do Conselho Deliberativo nas próximas semanas, agora sem a previsão de pagamento adicional.
O que diz Eduardo Toni, novo diretor de marketing do São Paulo
“O São Paulo tinha, na propriedade traseira, a Blue. Tentamos negociar, não conseguiram honrar, esse assunto está na Justiça. Você tinha uma empresa do ramo no Corinthians, uma no Flamengo. A nossa estratégia foi manter no segmento de seguros para substituir a Blue. Tentamos contato com seguradoras. Não tivemos êxito interno. Fomos falar com uma empresa que fazia intermediação nesse negócio, que fala com as empresas sobre isso o tempo inteiro.
Foi aí que entrou a New Honest, que já trabalhava para o São Paulo. Fazia um trabalho, já havia sido contratada pela área administrativa. Fomos pedir ajuda para conectar com empresas desse segmento. Ela nos conectou com a Rapvida, Porto e Unimed. Ela nos conectou com todas. Fui à Porto, a Hapvida foi ao São Paulo.
A negociação com a Unimed avançou e está em vias de fechar. Muito bem. Desde sempre, foi deixado claro que havia uma intermediação. Temos documentos internos que comprovam isso. Todos os diretores assinam, o presidente assina. Desde sempre foi deixado claro que havia uma intermediação. A intermediação era de 10% do contrato, de R$ 1,5 milhão por ano. O que daria para o São Paulo, líquido, R$ 13,5 milhões.
Quando esse contrato foi apreciado pelo Conselho de Administração, alguns conselheiros contestaram fatores da empresa, como ter sede no Morumbis. O Morumbis recebe várias empresas. Temos várias empresas com sede no Morumbis: nossa empresa de tour, os restaurantes. A New Honest paga aluguel pelo escritório, presta serviço para o São Paulo e paga por isso. Ter sede no Morumbis não há problema nisso.
Outra coisa que contestaram é que a empresa havia passado por uma mudança no quadro societário. Pode ter passado. Eu até desconhecia isso, que tinha havido essa mudança. Depois do problema, fomos apurar que ela passou as ações para o marido. Ela mudou as ações da empresa para o quadro da família. Estava no nome da filha e foi para o nome do marido.
Depois falaram que tinha um capital social muito baixo, mas eles não tinham que pagar ao São Paulo. Não haveria problema, porque não iria pagar ao São Paulo. Se fosse nos pagar, seria uma ameaça, mas não era o caso. As acusações, na minha visão, eram muito frágeis. Eu entendo que é uma questão política. Não consigo encontrar elementos que justifiquem isso. Eu, como funcionário, respeito e assino.
O São Paulo mandatou. Deu um mandato para ela procurar as empresas. Ela não fez isso sem autorização. Mais do que troca de e-mails, ela tem um mandato do São Paulo. Quando fazemos os processos internos, todo mundo sabia dessas questões. Eu trabalho para o São Paulo, independentemente de quem seja o presidente”, declarou ao ge.
O que diz Lúcia Martins, corretora da New Honest
“Fizemos a intermediação, sim. Fui convidada para buscar patrocínio para o SPFC. Essa intermediação se iniciou na CONEC, onde fui buscar seguradoras com interesse em patrocínio, em setembro de 2025.
A partir daí, as negociações avançaram, com algumas reuniões e pausas durante o período. Voltamos no início do ano, quando as coisas se acertaram e agora estão em fase de assinatura de contrato. Além da Seguros Unimed, outras seguradoras também foram contatadas e houve reuniões.
Estou documentada de todas as tratativas. Tivemos reuniões tanto na Seguros Unimed quanto no Morumbis. Inclusive, recebemos a Seguros Unimed na sala de reuniões da presidência e, durante o encontro, tivemos a visita do atual presidente, que passou apenas para se apresentar e agradecer a confiança em um momento tão delicado.
A empresa atua na área de seguros e tem CNAE para intermediação de negócios, inclusive patrocínio. Tenho expertise em vendas, conheço o mercado de seguros e aceitei o desafio de trazer patrocínio”, informou ao ge.




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