O Flamengo atravessa um momento de indefinição em relação ao acordo com o BRB. O banco público do Distrito Federal decidiu reduzir em 60% os recursos destinados a patrocínios em 2026, o que atinge diretamente os contratos esportivos.
A medida ocorre após mudanças na administração da instituição, promovidas na esteira da crise envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central no ano passado. Antes disso, o BRB havia direcionado bilhões para a compra de carteiras de crédito da instituição privada, operação que passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades e gerou perdas financeiras. Diante desse cenário, a direção optou por revisar despesas e diminuir aportes em diferentes frentes.
Os reflexos já aparecem nos números oficiais. Em 2025, o banco aplicou R$ 118,6 milhões em contratos de patrocínio, valor que foi reduzido para R$ 50 milhões neste ano, segundo informações do Diário Oficial do Governo do Distrito Federal. Entre os acordos impactados está o firmado com o Flamengo, cuja marca do BRB passou a integrar o uniforme em 2020, inicialmente como patrocinador principal. Desde o primeiro trimestre de 2024, a exposição foi reposicionada para a região do ombro da camisa, dentro de uma reformulação comercial do espaço.
A parceria também resultou na criação de um produto financeiro digital voltado à torcida rubro-negra. Lançado ainda em 2020, o Banco Nação reúne atualmente quase 4 milhões de clientes. O contrato de exposição na camisa, estimado em R$ 25 milhões por temporada, se encerra no próximo mês. Já o acordo relacionado ao banco digital tem vigência até 2029 e assegura ao clube pelo menos R$ 15 milhões anuais adicionais. Considerando as duas frentes, o Flamengo recebe um mínimo de R$ 40 milhões por ano provenientes da relação com o BRB.
O vínculo do Banco Nação está atrelado ao contrato de patrocínio do uniforme. Caso não haja renovação para a permanência da marca no espaço da camisa, o valor mínimo garantido pelo projeto financeiro será ajustado para R$ 25 milhões anuais. Assim, mesmo diante de eventual mudança na exposição comercial, a parceria prevê mecanismos de compensação financeira à instituição.
Em meio às discussões, o BRB informou que avalia uma reformulação do modelo atual envolvendo o Banco Nação, com a possibilidade de estruturar o projeto como uma empresa independente, conforme noticiado pelo Estado de São Paulo.
“O BRB informa que está realizando uma avaliação técnica e estratégica de todos os seus contratos de patrocínio, incluindo os esportivos, como parte do processo contínuo de gestão responsável dos recursos e de alinhamento às diretrizes do banco. Eventuais decisões sobre continuidade, ajustes ou encerramentos de contratos serão comunicadas oportunamente, sempre com transparência e respeito aos parceiros envolvidos.
Em relação ao patrocínio do Clube de Regatas do Flamengo, o BRB destaca que o contrato permanece em execução e a vigência segue até março. Para além disso, o BRB estuda mecanismos para reforçar e reestruturar a parceria que resultou na criação do Nação BRB FLA, com a possibilidade de transformá-lo em uma empresa independente, visando maior eficiência, escala e rentabilidade”, informou o banco em nota ao Ge.




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